[Freela] Como se tornou um ilustrador? Há quanto tempo trabalha na área?
Eu tinha dezoito anos quando um amigo me convidou para ilustrar um livro de contos que ele tinha acabado de escrever e iria ser editado com a ajuda do jornal onde ele trabalhava. Naquele mesmo ano, fui para São Paulo cursar Artes Plásticas na FAAP, mas antes de completar o segundo ano, voltei para Franca, onde fui convidado para integrar a equipe de arte daquele mesmo jornal. Acho que essas foram minhas primeiras experiências, digamos, "profissionais" na área gráfica. Depois disso, passei por um curto estágio em uma pequena agência de propaganda, após o que, me mudei definitivamente para São Paulo.
[Freela] Você tem muitas editoras no currículo, já trabalhou dentro delas ou sempre foi freelancer?
Com vinte e três anos eu fui trabalhar na Editora Ática, onde fiquei por mais de duas décadas. Ali fiz de tudo, de diagramação à direção de arte, especialmente de capas de livros. De vez em quando fazia algum "freela", mas muito pouco. Só depois que saí da editora, em meados dos anos noventa, é que pude diversificar um pouco mais minha clientela, que ainda assim se manteve, e se mantém até hoje, focada no universo das grandes editoras de livros didáticos. Já trabalhei com praticamente todas elas.
[Freela] Você já é um veterano nesse mercado. Como é sua relação com as novas tecnologias?
Me adaptei sem grandes dificuldades, talvez pelo fato de ter utilizado por muito tempo técnicas que requeriam uma boa dose de método e racionalidade, como é o caso do aerógrafo, um instrumento que caiu rapidamente em desuso devido ao advento do computador, mas que representou, pelo menos pra mim, uma ponte muito importante entre as técnicas convencionais e a computação.
[Freela] Como costuma buscar clientes?
Felizmente, são raras as vezes que saio a campo em busca de trabalho. Depois de uma certa vivência no mercado, você fica meio que impossibilitado de fazer novos contatos por uma simples questão de tempo, o que, de certa forma é contornado com o uso da internet. Alem de agilizar todo o processo, evitando idas e vindas desnecessárias, a rede possibilita a veiculação de um site que funciona como um portfólio que procuro manter sempre atualizado. Isso não elimina a possibilidade de eventuais visitas a clientes ou a algum interessado em conhecer mais de perto o meu trabalho.
[Freela] Que tipos de clientes mais procuram o seu trabalho?
Quase sempre são os editores de arte que me procuram, algumas vezes com a indicação de algum autor.
[Freela] Deixe seu recado!
O que eu venho constatando de uns tempos para cá é que, embora o mercado na área das artes gráficas venha crescendo nos últimos anos, existe ainda assim um certo descompasso entre o seu crescimento e o aumento do interesse pela profissão, provocado pela imensa popularização dos meios de produção ocorrido nas últimas décadas. Por essa razão é que vejo com bons olhos uma iniciativa como essa do FREELA, que vem de encontro a dificuldade que as novas gerações de profissionais têm para mostrar seu trabalho e por outro lado, proporciona às editoras e agências facilidade para localizar em meio a esse imenso e heterogêneo painel, os talentos de que precisam. |






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